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terça-feira, 18 de junho de 2013

Sonho medieval - Paulo Filho Dantas

“Que estranho cantar ao amor,
Profetizar um mundo tão vasto
Envolvendo sentimentos, aventura, dor
Se desfazendo igual moeda sem lastro
Aos olhos negros que me fitam,
Ai mirar um distante horizonte
Embalado aos ritmos entusiastas que recitam
Os lábios doces, do mel a fonte

Me pego sozinho novamente, mesmo eu
Não suporto o vazio que tua falta
Faz ao ser desequilibrado no liceu,
Acolhedor dos problemas e respostas em pauta
Solitária a solidão que’m meu peito bate
E me consome o interno conjunto material,
Me virando pelo avesso, o corpo embate
E se atira contra parede epitelial

Declaro todo meu sentir aberto
Às avenças núpcias primárias
Ataco em tocaia no horário certo
Quando necessito das carícias primárias
E a partir daí tudo se transforma em poema
Até mesmo em versos nerudescos,
Teu corpo me leva a uma poesia plena
Eloquência brota de movimentos pujantes

Nada mais está certo dando agora
Por mais que tentemos é esforço vão
Só resta esperar futuro encontro, embora
A alma inquieta se contenha em emoção
Já que desejo imbui necessidade
Realizaremos, sem medidas, nosso pensar,
Tomar-te-ei pela mão ou pela boca
Pelos olhos ou por força do luar.

Encontrarei o meu corpo no seu
Para um novo desejo nascer,
Sempre como uma criança recém nascida
Chora ao mundo perceber
E indo além, até o limite
Se possuíres, hei de lá chegar,
Pois nunca sairá do pensamento a cena
Da tua boca entreaberta, a mim, chamar

O que virá após? O depois?
A espera de um olhar novo
Que trespassa o coração como punhal frio
Tanto que paraliso, não me movo
Não me deixes sem o teu suor,
Sem o teu corpo e sem a tua mocidade,
Porque se a vida é composta por momentos felizes
Não encontrei, mas andei bem perto da felicidade’’.

Copiado do: Caminhos do Meu Ser

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