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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Primeiros sacristões e os sinos - Por Marcos Pintos




História da Paróquia de Apodi - Primeiros sacristões e os sinos

Os anais da história são compostos por fatos dignos de nota, constitutivos de fatores motivantes aos olhos do homem provinciano, responsável pela fixação das bases iniciais da civilização, quebrando o cotidiano das imagens. Surge daí a suma importância dos cronistas e memorialistas, que retrataram/retratam a fisionomia dos homens e das primitivas povoações em seus primórdios.

Desconhece-se a existência de livros de tombo da Igreja-Matriz do Apodi contendo informações históricas sobre os primeiros sacristões, bem como da origem dos venerandos sinos que jazem na torre, como eternos vigilantes dos habitantes do antigo "Quadro da Rua".

Sou um devoto do cotidiano, amando as alegrias miúdas e diárias, insignificantes em em sua expressão material mas poderosíssima de energia inspiradora. O trivial, o cotidiano, o comum, angustiavam os grandes homens. Este valor do cotidiano,do banal, da rotina monótona, é muito mais decisivo e poderoso que as chamadas inspirações ou formas de talento inopinado. "Não há uma alegria pública que valha uma boa alegria particular".(Machado de Assís).

A retentiva da memória do tempo revela a imagem do nascimento de Apodi. Aldeia indígena catequisada sobre a influência cristã dos padres jesuítas PHILIPE BOUREL e BONIFÁCIO TEIXEIRA. A primitiva capela iluminando almas. Imagens antigas das remotas procissões alusivas aos seus santos padroeiros N. Sra. da Conceição e São João Batista. A Igreja-Matriz, templo que foi testemunha silenciosa ou ressoante de dobres e repiques dos sinos, aliados a dramática luta dos habitantes pioneiros e criadores da civilização sertaneja.

Não há registro histórico escrito sobre a origem dos venerandos sinos da Igreja-Matriz. Sabe-se, apenas, pela tradição oral, que vieram de Portugal e foram batizados em Apodi com os nomes de "COSME E DAMIÃO". Desde remoto tempo chamam os fiéis às orações. Repicam nas horas de alegria nos festejos alusivos aos padroeiros, e badalam as despedidas dos mortos. Segundo o profícuo e celebrado historiador Apodiense JOSÉ LEITE, a Igreja-Matriz desabou sobre suas campas no dia 02 de fevereiro de 1784. É certo que o templo tinha duas torres, tendo sido reedificada apenas uma torre, restando da outra apenas o frontispício, ou seja, a parede da frente, daí a necessidade de acomodar os dois sinos em uma só torre. Resta a indagação: Por quê não envidar esforços objetivando reedificar a outra torre, resgatando assim a arquitetura original da Igreja-Matriz? Somemos para essa espécie de cruzada em prol da história.

Em alguns documentos oficiais encontrei referências aos primeiros sacristões da Paróquia de Apodi. Não raro, os padres que curavam a Paróquia de Apodi já chegavam acompanhados de filhos naturais. O primeiro sacristão da Paróquia de Apodi foi o Sr. JOÃO DA CUNHA PAIVA, nascido em Apodi no ano de 1780, filho do primeiro Padre da paróquia JOÃO DA CUNHA PAIVA (1766-1776), fruto de relacionamento amoroso do padre com uma jovem de nome Ana Maria do Carmo. Este sacristão casou com Luzia de Souza, filha de Valeriano de Souza (falecido a 06.06.1819) e de THEREZA DE JESUS MARIA (falecida a 25.1819).

O sacristão João da Cunha Paiva foi o inventariante dos bens dos seus sogros. O segundo sacristão foi o Sr. MANOEL CORRÊIA CALHEIROS PESSÔA, filho do padre de igual nome, que curou a paróquia no período 1785-1802. Este sacristão era pernambucano, e veio para o Apodi no ano de 1785, em companhia do seu genitor, que havia sido nomeado Vigário da Igreja-Matriz da povoação das várzeas do Apodi, nomeação feita pela Sé de Olinda. Exerceu o mister de Sacristão do ano de 1785 até 13 de julho de 1802. Casou com Ana Catarina de Morais, filha do Capitão Antonio de Morais Bezerra e de Maria José da Cunha. Deste sacristão Manoel Calheiros e esposa descendem todos os componentes da vastíssima família dos "CAIEIRAS", corruptela popular do nome CALHEIROS, espalhados na várzea de Apodi e Felipe Guerra.

A certeza de quem foi o terceiro sacristão da paróquia de Apodi encontra-se no inventário de Florêncio Gomes de Oliveira, falecido a 13.11.1850 consta como devedor passivo do falecido o sacristão BELINO IZIDRO DE OLIVEIRA, filho do Padre Faustino Gomes de Oliveira, que dirigiu a paróquia de Apodi 1813-1856. Belino nasceu no ano de 1832, e casou em Apodi, onde deixou descendência.

O quarto sacristão foi o Sr. MANOEL DANTAS FURTADO, natural da serra de Martins-RN, onde nasceu no ano de 1840. Em 1864 já se encontrava no ofício de sacristão em Apodi, onde casou com Umbelina Francisca de Freitas. Em 1870 se encontrava casado em segunda núpcias com Marcionila de Freitas, de cujos matrimônios deixou descendências. Continuou como Sacristão durante o período do Padre ANTONIO DIAS DA CUNHA (1866-1900). Durante o paroquiato do Padre ANTONIO DIAS ficou célebre a questão do ano de 1871 com o povo de Caraúbas, por motivo de sua insistência em não consentir a volta da imagem de São Miguel (É aquela que se encontra na capela do cemitério),que pertencia à Igreja-Matriz de Caraúbas, e que se encontrava na Matriz de Apodi de modo provisório.

O Padre Antonio Dias desobedeceu ao mandado do Vigário Capitular de Olinda-PE Cônego João Crisóstomo de Paiva Torres, que mandou devolver a imagem para a Igreja-Matriz de Caraúbas. No dia 11 de setembro de 1871 chegava ao Apodi uma numerosa comitiva de Caraúbas, composta por 70 pessoas, com o objetivo de fazerem o traslado da Imagem de São Miguel, da Igreja-Matriz de Apodi para a de Caraúbas. De imediato, o Padre Antonio Dias mandou o sacristão Manoel Dantas Furtado fechar todas as portas da Matriz, tendo a ordem imediato cumprimento. Depois de muitos diálogos, resolveram os Caraubenses retornarem sem a sua imagem, sob promessa de uma matriarca caraubense da família FERNANDES PIMENTA mandar comprar outra imagem em Portugal, o que realmente foi feito. O Padre Antonio Dias era o bisavô de sêo Altino Dias e do velho Lalá.

O quinto sacristão foi o Sr. MANOEL JOSÉ DANTAS, nascido em Apodi a 19.01.1883. Era filho de José Dantas Furtado (Irmão do sacristão Manoel Dantas Furtado) e de Antonia Francisca de Souza. Casou a 25 de junho de 1910 com dona MARIA ROMANA DE OLIVEIRA. Foi Vereador em Apodi no triênio 1926-1928. Foi o sacristão que mais tempo exerceu seu ofício, durante o período de 77 anos. Faleceu em Apodi a 17 de Abril de 1983, aos 100 anos de idade. Era pai de RAIMUNDA DANTAS - Dona Mundinha Dantas, Teatróloga, que veio a casar com o Sr. FRANCISCO LOPES, popularmente conhecido como Sêo Chico Dantas, e foram pais de MARIA COELI DANTAS (Casada com Raimundo Leite, filho de Hidelbrando Leite), de DULCE DANTAS, casada com Militão (Pais de Tarcísio e Dilena) de DIDA, casada com Titico de Manoel Pedro. Maria Coeli era tabeliã, e foi mãe de Vanda,casada com Chico de Manuel Canuto, que por sua vez são os pais de Regina do Cartório.

Por Marcos Pinto - historiador apodiense
Matéria copiada do: Blog Potyline

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