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sábado, 8 de junho de 2013

Pedro Noronha (I) - Por Marcos Pinto

Pedro Noronha - Um desbravador apodiense na floresta amazônica (I)

O município de Apodi tem seu nome registrado em referenciais históricos de longínquos rincões deste país, através de seus filhos, que procuraram novos horizontes em outras plagas. Com suas abnegadas e indômitas participações, fundaram vilas e cidades, rasgando matas virgens e deixando suas pegadas nos fastos do progresso. Dentre cidades fundadas por Apodienses, destacam-se Jati, no Estado do Ceará, fundada por Antonio Moura, seu filho Antonio da Cunha Moura e Anastácio de Moura, e a cidade  Dianópolis do Estado do Tocantins, do antigo Estado de Goiás, fundada pelo destemido Francisco Liberato da Silva Costa, em 1890. Tangidos pelas secas inclementes, geralmente tinham a floresta amazônica como destino de suas profícuas labutas. Dentre estes indômitos heróis esquecidos, sobressai-se a figura sertaneja de fibra e arrojo de um PEDRO JOSÉ DE NORONHA. Nasceu em Apodi a 29 de Abril de 1896, filho legítimo de José Umbelino de Noronha e de Alexandrina Gomes Pinto; neto paterno de Sebastião Gomes de Oliveira (Tatão Paulino) e de Francisca Gomes de Oliveira. Neto materno de Alexandre Ferreira Pinto e de Maria Gomes da Assunção. Casou com Isabel Sofia Pinto, filha de Vicente Gomes Ferreira Pinto (Vicente Xandú) e de Maria Belisa da Silva Filha (Marica). A veneranda Sra. Lindalva Noronha, (Filha de Pedro Noronha) fez um trabalho de importante cunho histórico-familiar sobre a saga de seu pai, intitulado "Datas Inesquecíveis", do qual transcrevo os seguintes trechos:

“Por volta de 1944, uma companhia americana em comum acordo com o governo brasileiro, passou a transportar para o Amazonas, qualquer pessoa que quisesse trabalhar na extração da borracha”. Pedro Noronha, seus filhos José e Vicente e seu genro Lucas, embarcaram para o Amazonas, deixando suas famílias chorando de dor e saudades.

Pedro Noronha aos 90 anos
O Nordestino é acima de tudo um forte, um guerreiro! A viagem de navio era longa e penosa. Chegando a Manaus, foram apresentados a um “certo patrão” – Rui Ascensão que logo providenciou para que eles embarcassem num outro navio que os levaria a um Seringal às margens do rio Purus. Com eles também iam muitos outros nordestinos e até alguns parentes.

Seu Rui percebeu logo o caráter e a disposição daqueles homens mandou que Pedro Noronha e os demais fossem trabalhar numa “colocação” de nome Igualdade às margens do Rio Purus.

Pedro José de Noronha, descendente de uma família nobre do RN casado com sua prima Izabel Sofia (F) Pinto (Mimosa). Izabel e Antonia (mãe de Palmira) eram filhas de Vicente Gomes Ferreira Pinto e Maria Belisa da Silva Filha (Marica). Pedro Noronha e Izabel foram pais de doze filhos. Dois deles morreram logo, ficando apenas dez, sendo seis homens:

José (Dé)
Vicente (futuro administrador do Seringal)
Sebastião (o Noroinha)
Pedro (o Totó)
Francisco (o Chiquito)
Geraldo (o Bial)

Isabel Sofia e Pedro Noronha
E quatro mulheres:

Maria (a 1ª filha já casada com Lucas de Tatão Paulino e com duas filhas e grávida pela 3ª vez)
Amélia (casou com Sebastião de Freitas)
Izabel (casou com João Basílio)
Lindalva (casou com Jacinto)

Na tal colocação denominada Igualdade, só havia até então um velho barracão coberto de palha, suspenso do chão e até as paredes, eram de palhas. A panela onde cozinhavam o feijão, o peixe, a caça era pendurada numa corda e o fogo de lenha embaixo".

O barracão velho e o novo
O seringal "Igualdade" situava-se às margens do rio Purus, e pertencia ao município de Labre, no estado do Amazonas. Na margem direita do rio era o lado agrícola, onde havia moinho para prensar a cana e daí todo o processo para obter os derivados da cana: garapa, açúcar preto, rapadura, batida, alfenim, álcool, e a cachaça que tinha o nome de "Me solte". Nesta particularidade do nome da aguardente entra o apodiense FRANCISCO PAULO FREIRE (Sêo Chico Paulo). Por volta do ano de 1949 o mesmo esteve trabalhando no seringal "Igualdade", onde amealhou considerável recurso econômico, o que proporcionou o seu retorno à Apodi, tendo comprado muitos bens imóveis, dentre eles a fazenda "Salgado". Nesta fazenda, sêo Chico Paulo fez um resgate histórico de sua estadia no Amazonas, tendo instalado um alambique, produzindo uma saborosa aguardente à qual deu o nome de "ME SOLTE".

Pedro Noronha e os seringueiros
Ainda sobre o seringal "Igualdade" - A maioria dos seringueiros eram Apodienses recrutadas por Pedro Noronha, de preferência parentes das famílias PAULINO e PINTO, radicadas no sítio "Melancias". Na margem onde ficavam as casas havia muita árvores frutíferas. 

Desse modo, havia a criação de bovinos, caprinos, ovinos, suínos, galináceos de muitas espécies. Alguns homens ainda caçavam e a caça era farta. Pescava-se de rede, de arpão e de anzol no rio e nos igarapés. O pirarucu era muito apreciado.


Escrito por Marcos Pinto e Lindalva Noronha.
Matéria copiada do: Blog Potyline

Um comentário:

Elvis Torres disse...

Sou neto de SEBASTIANA DE OLIVEIRA TORRES que viveu no seringal IGUALDADE com seus pais.
O terceiro de fila de traz da esquerda para a direita é MANOEL AUGUSTINHO DE OLIVEIRA casado com JOANA MAFALDA DE OLIVEIRA que foram para o seringal com sua filha SEBASTIANA MAFALDA DE OLIVEIRA, depois já no seringal tiveram JOSÉ, RAIMUNDO E RAIMUNDA DULCE (DUCINHA), JOÃO VALDIVINO (irmão de JOANA)também trabalhou no seringal, na foto da direita para a esquerda da fila da frente...
Minha avó (viúva de ANTONIO PEREIRA TORRES), relembra com muita saudade dessa época e das pessoas que nunca mais viu...moramos hoje no Pará...e temos muita saudade inclusive do Rio Grande do norte...