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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Antigos vazanteiros da Lagoa de Apodi - Por Marcos Pinto


A história universal prega que o rio Nilo é a dádiva do Egito. Partindo desse contexto, pode-se afirmar de forma incisiva que a Mãe-Lagoa de Apodi é a dádiva da cidade. Não existe família apodiense que, por mais tradicional que seja, não tenha sobrevivido do arroz, feijão e batata doce oriundos das vazantes da lagoa, cujas margens enchem de verde aquelas paradisíacas paragens conhecidas como Poço da Matuta, Poço dos Homens, Bico da Croa, Despejo, Passagem do Carcará, (Por onde a lagoa recebe água do rio) Ponta D'Água, Merêncio, Vertentes, Garapa, Largo, Estreito, Horto Florestal etc.

Posso até citar nomes de grandes expressões da geografia humana de Apodi que brilharam além-fronteiras do Apodi, como os Srs. Osmídio Jovino, Raimundo Jovino de Oliveira (Foi Prefeito em Mossoró - no período 01.11.1932/21.09.1933) João Cantídio de Oliveira, Raimundo Cantídio de Oliveira (Avô materno de Elano Cantídio, médico-proprietário da Clínica Oitava Rosado, em Mossoró), industriais que se projetaram nos destinos de Mossoró, como também Francisco Izódio de Souza (Prefeito em Mossoró no período 1911-1913) Luiz Colombo Ferreira Pinto (Tio de Alice Pinto, e que foi Prefeito de Mossoró no ano de 1927), Rubens Pinto (Pai de Hugo Pinto, dono da loja de eletrodomésticos H.F.Pinto).

São chamadas Vazantes aqueles terrenos dos rios, açudes, lagos e lagoas que são inundados no período invernoso e que vão sendo pouco à pouco descobertos, tornando-se, assim, agricultáveis. Nas margens da lagoa de Apodi, especialmente nos lugares denominados de Despejo,Merêncio e Ponta D'água é onde estão localizadas as melhores vazantes, cujo solo apresenta um perfil areno-argiloso, onde o vazanteiro faz as suas conhecidas covas ou leiras, onde geralmente plantam arroz vermelho, feijão,milho, abóbora, batata-doce melão e melancia, além de capim.

Estudos comprovam que a água da Mãe-Lagoa de Apodi baixa, por evaporação, cerca de 20 centímetros por mês. Variando com a declividade, o abaixamento mensal do espelho d'água em 20 centímetros tanto pode descobrir meio, como cincou ou dez metros de solo para plantio. Estes terrenos geralmente dispensam adubação, dado sua reconhecida fertilidade representada pelos adubos naturais trazidos pelas águas pluviais. Influi muito a rapidez com que baixam as águas.

Os conterrâneos que sobrevivem às expensas das vazantes são detentores de larga saúde, fruto do alimento sadio, sem o emprego de nocivos agrotóxicos. Fazendo jus ao título, evoquemos os velhos vazanteiros sob a nostalgia de intensa saudade, uma vez que cerca de 95% já receberam o chamado do Pai Eterno, vivenciando a faixa silente da eternidade. Imagino quão alegre era a vida dos vazanteiros, colhendo o fruto dos seus suores diários e convivendo com aquela amplitude do verde que contagia de alegria a alma. O zelo com suas plantações não dispensava a atenção em espantar os pássaros que procuram, insistentemente, consumir os cachos de arroz no período da colheita. Os pássaros mais comuns são os Tizius saltitantes, os canários, as graúnas, os miúdos e os cabeças-vermelhas. A estratégia para espantá-los consiste em ficar trepado em uma espécie de jirau feito com varas, e ficar puxando um cordão ou corda estirado e atado a latas com pedras dentro, o que ao ser puxado com força agitava as pedras e fazia barulho, espantando os pássaros.

Nas vazantes do "Despejo" tínhamos os seguintes plantadores/vazanteiros: Paulino Caveja, Batata de Paulino, Beija Curinga, Nelson Lucas, Antonio Padre, Lucas Reinaldo (Pai de Elísio Reinaldo) Manezim Reinaldo, Severino Gato, Joaquim Pompílio, Cícero de Dino (Pai de Chavinha), Tico de Enéas, Vitor Jararaca, João de Dodô (Irmão do coronel Lucas Pinto) e Zé Raposo, que plantava algodão nas Crôas.

No lugar "Merêncio" as pequenas glebas de terras eram plantadas pelos Srs. João Raposo, Chico Raposo, Bolota de Raposo, Chico de Cota, Vicente Maia, Miguel Guarda, Manoel Dantas (Sacristão da paróquia de Apodi durante 40 anos) Zé de Cândido, Raimundo Braz, Toinho Torres, Pereira Torres, Chico Torres, Bento Tito, Chico Tito (O Velho), João Menino, Beinho, Lozo de João Menino, Chico Inglês, Mané Inglês, Lulu Inglês e Chico Sinfrônio. Na parte que compreende a "Ponta Dágua" os da família Inglês também plantavam, como também os da família TITO, sendo maior parte pertencente ao meu avô paterno Aristides Pinto. Na evocação do tempo, foram homens que contribuíram para o progresso da cidade, mesmo que de forma humilde. Eis o resgate dos velhos e saudosos vazanteiros da lagoa de Apodi.

Por Marcos Pinto -  Historiador apodiense.
Matéria copiada do: Blog Potyline

Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente!Fiquei muito feliz de constar o nome de meu pai Manezim Reinaldo (irmão de ElisioReinaldo)como vazenteiro do despejo.