Pesquisar neste blog

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Padre Philippe Bourel (II) - Por Marcos Pinto

Subsídios para história religiosa de Apodi - Padre Phillipe Bourel (II)



A fundação do Apodi representa um esforço da civilização espiritual no meio da violência das guerras entre a nação indígena, e da preocupação econômica dos curraleiros, cuja atividade foi, sem dúvidas, importante para o desenvolvimento econômico da região. Prejudicaram-na as rivalidades entre os chefes militares, Capitães-Móres e autoridades camarárias. Destrinçar,porém, o que há de verdade e de falso nos capítulos e informações que entrecruzam às dezenas, é assunto já alheio à nossa história. Não o é dizer que foi de suma importância a atuação dos missionários jesuítas, que no plano espiritual agiram de forma eficaz.

Não há como enveredar pela história da conquista e colonização do RN sem ressaltar a importância da atividade dos jesuítas, em cuja conquista intervieram pessoalmente nas pazes com os potiguares. Essa atividade divide-se em três períodos: O primeiro foi o de conversão e catequese intensa antes da invasão holandesa; O segundo período compreende as lutas travadas pelo gentio indígena entre o rio Assu e o Jaguaribe com a ALDEIA DO LAGO PODY, e ao mesmo tempo e até o fim nas fazendas e aldeias. 

O Padre Francisco Pinto, principal agenciador das pazes, em carta de 17 de janeiro de 1600, recapitula e completa as notícias afirmando que havia no distrito do RN cerca de 150 aldeias, já desfalcadas de gente pela terrível epidemia da varíola. Os índios potiguaras afeiçoaram-se muito ao Padre Francisco Pinto.

No capítulo concernente à carta do Padre Mateus de Moura, já referida no artigo anterior, em que aborda a carismática figura do respeitável e magnânimo Padre Philipe Bourel, segue a narrativa daquele jesuíta: "...A vida da ALDEIA DO LAGO PODY continuou neste ambiente de apostolado em meio versátil e difícil, durante alguns anos, até que a 15 de maio de 1709 faleceu nela o padre Philipe Bourel". Estava só no tempo em que faleceu, por andar fora em missão o seu companheiro.

Se, não era ainda, mas já ordenado de sacerdote, o padre BONIFÁCIO TEIXEIRA, foi-o algum tempo depois. Não há narrativa deste período. Com a morte do padre Philipe Bourel, sucedeu-o o seu colega Bonifácio Teixeira, que no ano de 1711 tinha feito o batismo de mais de 150 meninos e 70 adultos indígenas, que assim morreram cristãos. Muitos, porém, recusavam por antigas superstições.

Há que se observar o importante perfil espiritual do padre Philipe Bourel traçado pelo celebrado historiador LORETO COUTO, em sua consagrada obra intitulada "DESAGRAVOS DO BRASIL", em anais da Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro, pág. 350: "Sábio, a sua ciência é atestada pelo fato de que o Padre Provincial de Portugal, antes de embarcar o Padre Philipe Bourel, pediu ao Provincial do Brasil que lhe cedesse um ano "para ser Lente de matemática na Universidade de Coimbra. Carta de 10 de fevereiro de 1695. 

O Padre Philipe Bourel fez em Coimbra, a 02 de fevereiro de 1695, a sua profissão solene. O historiador JOÃO ANTONIO ANDREONI escreveu sobre ele uma breve biografia latina. Conta-se que ressuscitara uma criança, que morreu sem batismo, e ele vendo a mãe chorar, desenterrou a criança que voltou à vida; e batizando-a, ainda durou algum tempo. Diz o historiador LORETO COUTO, em obra já citada, que conservava-se uma pintura desse fato na Aldeia do Apodi, aonde se dera a cena, e cujos ecos recolheu o renomado historiador. Resta a indagação: Onde estará esta memorável e histórica pintura?.

A missão jesuíta em Apodi seguiu sua trajetória espiritual. Recrudescendo as perturbações e mostrando-se versáteis e inconstantes os Paiacus, o Missionário padre BONIFÁCIO TEIXEIRA recolheu-se à Olinda, em Pernambuco. Indo para a Aldeia do Lago Pody uma tropa de soldados paulistas para impor a ordem, o Padre Bonifácio acompanhou-a para cuidar espiritualmente dos soldados. A tropa foi desbaratada pela indiada, e o Padre Bonifácio foi ferido, falecendo poucos dias depois. Com essa cruz tumular do padre BONIFÁCIO TEIXEIRA se encerra a HISTÓRIA JESUÍTICA DA ALDEIA DE SÃO JOÃO BATISTA DO LAGO PODI.

Por Marcos Pinto - historiador apodiense 

Copiado do: Potyline

Nenhum comentário: