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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Não tendo a lua - Paulo Filho Dantas

“Não tendo a lua iluminadora
Por que se faz a noite?
Para que a dor pendora?
Castigando em vil açoite
Um coração todo apaixonado
Por ser belo e encantado
O humano ser que sofrendo
É capaz do entregue ser vicioso
As mundanas tentações do ditoso
Tempo que não passa correndo.

Não tendo a lua consoladora
Por que se faz a poesia?
Para que sentir a redentora
Dor da infante magia?
Se a vida é um elo a quebrar
Que só dura enquanto sonhar,
um sonho nada mais somente
que tudo foi revolta ilusão
só valendo para o coração
solitário na ânsia que sente.

Não tendo a lua devastadora
Para que se faz a doçura?
Para que falamos em voz cantora
Se jamais podemos sentir candura?
A agonia toma-se toda confiança
Por acreditar que ainda viveremos
No mais cansando do tanto esperar
Saber que no futuro sofreremos

Não tendo a lua amarelada
Por que se faz o amor?
Para que vê-la tão encantada
Já que ficaremos sem calor?
Sem o belo raiar que atinge
Os olhares ao busco e ao infringe
Da lei marcial a mi decretada,
Seria melhor de vez desaparecer
Oh! lua me faça por esquecer
Onde anda minha mulher amada.

Não tendo a lua cigana
Por que todo o existir?
Para que fazer caravana
Na hora que deseja sorrir?
Pois a alma na saudade
Afa sem vida a cidade
Esquecida por todos que são,
Encostando no peito a dor
Da lembrança do cheiro flor
Odores que jamais sentirão.

Não tendo a lua romântica
Por que queremos chorar?
Para que descrevemos semântica
Na infinita arte de amar?
Ela pode parecer um futuro
Incerto plúmbeo-escuro,
Em azuladas águas de mar
Meu solitário bosque florido
Em memórias estás esquecido
Desejo inato espalhado no ar’’.

Copiado do: Caminhos do Meu Ser

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