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terça-feira, 28 de maio de 2013

Mesmo que a vida - Paulo Filho Dantas

“Mesmo que a vida não seja
Bastante para eu declarar
Todo somente porque deseja
Teu corpo ao meu encontrar
É na solidão do meu ser,
Que procuro cada vez mais reviver
Formidável que aconteceu passado.
Entre mim e tu há um elo
Forte, impávido sol amarelo,
Mil e um dias com ti ao lado.

Mesmo que a vida não seja
Capaz de me por ao alcance
Da tua face madura-cereja,
Trigueira flor do puro romance
Ilumina a embriaguez do pensar,
Por causa só desse uno olhar
Perde-se tudo que foi meditado,
Pelas mentes loucas na humanidade
A surgência de fazer-se necessidade
Poesia devaneia, poeta excitado.

Mesmo que a vida me imponha
Leis naturais cabíveis ao homem,
Quiça dela ainda se componha
Partículas que, rápidas, consomem
Todo inteligível querer humano
Ao compartilho daquele desengano,
De pensar saber tudo sobre estrela.
Cigana distante, errante e brilhosa
Que convida interessar a lua airosa
A razão fugaz de não crê-la.

Mesmo que a vida me convoque
Para nela me deliciar na beleza,
Peço para afastar-se do toque
Leve sopro de envolvente pureza,
Mas que venha toda a ternura
E o branco dia não torne amargura
Negra luz de sentir partido,
Me ame como nunca me amou,
Porque a aurora agora cantou
Nosso momento, aquele esquecido.

Mesmo que a vida ainda insista
Em que eu disfarce o que penso,
Acho melhor que ela desista,
Meu tormentar é bastante extenso
Não cabe dentro da minha cabeça,
Parece loucura, porém esqueça
Aquilo que guardo comigo padece,
Peço ajuda esperada do gênio bom,
Pois a melodia está fora de tom,
A carne branca precisa de prece.

Mas mesmo que a vida ofereça
Seu sangue em forma dela,
Deixo sem que ela padeça,
Mas sofro pela figura singela,
Pois seu sorrir é assim demasiado,
Seu falar é assim encantado,
Teu perfume me leva a alturas,
Quero-a para sempre comigo,
Serei herói, amor e sem tigo
Viverei eternamente em loucuras’’.

Copiado do: Caminhos do Meu Ser

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