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domingo, 14 de abril de 2013

Lamento Poty - Mônica Freitas

Numa dessas tarde vagas;
que a gente põe-se a pensar;
caminhei até a margem
de um oásis potiguar
pra ver lá o pôr-do-sol
desse recanto Poty;
uma imagem sempre bela
da cidade do Apodi,
mas ouvi gritos e ecos
da lagoa a me pedir:

-Sei que estás a contemplar
minha beleza serena,
mas quero te implorar
por piedade divina,
escute-me, preste atenção!
Olhe para o meu estado;
veja se há condição
de deslumbrar seu olhar;
e causar-lhe inspiração?

Estou seca, soterrada,
esgotada e depenada
como inocente em prisão.
Pergunto-me: qual o crime
que me dá condenação?

Fui personagem marcante
Da história de Apodi
Que às minhas surgiu
Com o nome de Poty
Sinto saudades do povo
 Que sobreviveu aqui,
Dos nativos que banhei,
Alimentei e criei;
E sabiam retribuir.

Minhas águas já banharam
muitos que aqui cresceram.
Meus peixes alimentaram,
todos que aqui nasceram.
Meu pôr-do-sol deslumbrante;
quem viu pôde contemplar;
era uma rara beleza.
Fui princesa do lugar.

Hoje, vivo a chorar;
mergulhada em desespero;
as substâncias malignas;
derramadas no meio leito;
me maltratam, ferem o peito,
cravam o meu coração;
já não posso servir mais
a minha população.

Sinto vergonha do cheiro,
que as minhas águas exalam;
logo na porta de entrada;
e os que passam o inalam;
cada dia, vou morrendo,
perdendo a felicidade.
Peço socorro urgente!
Por que tanta crueldade?

Ao ouvir esse lamento
me senti envergonhada.
As lágrimas molharam o rosto
e se misturaram às águas
da lagoa em aflição.
Aquele lamento triste
tocou o meu coração.

Por muito tempo guardei;
aquela imagem sagrada;
da lagoa do Apodi,
chorando envenenada.

Agora transformo em versos;
integrantes das canções;
que despertam corações
e chamam as atenções;
dizendo que a natureza,
é viva, sorri e dança;
quando trocamos com ela
a alegria que alcança.

Mas quando não a amamos,
ela entristece e chora;
pode até não ser ouvida
por aqueles que não sentem;
que o amor traça a história;
dos que zelam pela vida.
E encontram em simples versos
a maneira mais sutil;
de resgatar a pureza;
de uma riqueza perdida.

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